Conhecer as emoções: um primeiro passo para bem geri-las

Por Letícia Machadoª

 

Com o aumento da conectividade, do facilitado acesso à info
rmação, da instabilidade económica e da violência, as emoções vistas como negativas – tais como fracasso, solidão, rejeição, raiva e stresse – parecem ser uma constante na vida quotidiana.

 

A verdade é que cada vez mais é permitido e esperado que a pessoas sejam felizes, que aparentem ter sucesso e sejam maduras emocionalmente, mas ninguém ensina a como conseguir isso. Cada vez a montra do sucesso alheio é maior nas redes sociais, cada vez mais as pessoas sentem-se sozinhas mesmo quando acompanhadas, e a cada dia o mundo parece um lugar mais ameaçador e menos seguro de se viver, dando espaço, então, para todos esses sentimentos ficarem empilhados, desorganizados e mau geridos.


De facto, desde muito pequenos aprendemos a priorizar a saúde física sobre a saúde mental. Desde muito cedo – antes dos 5 anos – aprendemos que se cairmos ao chão e magoarmo-nos os joelhos devemos desinfectá-los e, de preferência, colocar um penso rápido, porque, caso contrário, a ferida pode piorar. Se perguntarmos para qualquer criança em idade escolar, ela saberá explicar esses passos e também saberá o motivo de fazê-los. Nós nos preocupamos em ensinar aos pequenos a importância de cuidarem dos seus corpos, mas raramente nos preocupamos em mostrar a importância da saúde emocional.

Em contrapartida, se perguntarmos aos adultos o que fazer frente a uma dor lacerante causada pela rejeição de um parceiro amoroso, o que fazer perante o vazio causado pela solidão, como curar o golpe sofrido perante a sensação de fracasso ou mesmo o que fazer com a raiva que assola ao descobrir uma traição ou como superar o stresse da vida diária para conseguir ser mais produtivo e feliz, é provável que sejam problemáticas desafiadoras para serem respondidas de imediato. Em geral, a resposta comportamental das pessoas parece ser fingir que nada aconteceu, seguir em frente sem prestar atenção na ferida emocional que se criou por ter entrado em contacto com essas emoções. E isso, assim como nas feridas físicas, só tende a piorar: gera “infecção”, dor, e, inevitavelmente causa problemas mais adiante.

A psicologia tem dedicado anos de pesquisa científica em busca de estratégias e tratamentos para situações comuns do dia a dia. Há uma série de estudos que demonstram que sentimentos como o fracasso, por exemplo, alteram nossas percepções da realidade e levam a um ciclo de desespero e frustração impostos pela nossa própria mente, o que acaba por bloquear o nosso progresso. Assim, fica claro que o primeiro passo para melhor gerir as emoções é ter atenção aos nossos maus hábitos emocionais e as feridas que criamos dia após dia. Ao entrar em ação e tomar o controlo das nossas reações face a situações mais stressantes, trataremos não só as feridas emocionais, como também desenvolveremos resistência emocional.

Essa resistência emocional – também chamada de inteligência emocional – por sua vez, tem sido um importante indicador de sucesso na vida académica, profissional, e interpessoal, apontando, inclusive para maiores níveis de qualidade de vida. A verdade é que a maior parte da população não tem apreciação do quanto a maneira com que percebem e reagem aos seus estados emocionais pode alterar por completo sua realidade e inclusive suas respostas biológicas. Com base nessas questões é que a YellowRoad passará a partilhar dicas, ideias e textos de forma a produzir uma melhor qualidade de vida a longo prazo nos YellowRoaders a fim de desenvolver uma maior compreensão sobre as respostas emocionais e fazer delas aliadas no dia a dia.

 

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ª Leticia Machado é Psicóloga Clínica e Coach Pessoal e Profissional com a grande missão de vida de ajudar as pessoas a enfrentar desafios, motivá-las a serem o melhor que puderem, fazer com que elas sintam-se bem consigo mesmas e com o mundo ao seu redor, e, sobretudo, encorajá-las a serem sempre MAIS – mais felizes, mais realizadas, mais bem sucedidas.

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