Grávida e stressada?
Precisa ler isso

17 de Setembro, 2017 – Leticia Machado

Grávida e stressada? Precisa ler isso

Por cultura ou por estereótipo, é esperado que a gravidez seja um período feliz e tranquilo, que aconteça depois de um grande planeamento e espera, e que os pais estejam completamente preparados financeira e emocionalmente para dar conta de uma nova pessoa que entrará nas suas vidas. De fato, esse seria o cenário ideal, mas não é sempre o que acontece. Fora os cenários óbvios – que repetem-se com muita frequência como, por exemplo, a gravidez não planeada – a gravidez nem sempre é vivenciada de forma feliz e tranquila. Mesmo nos casos em que é planeada e em que os pais detém todas as condições ótimas para criar um novo membro da família, aparecem dúvidas sobre suas capacidades de serem bons pais, sobre a capacidade de cuidar e sobre como se relacionarão com a criança que está por vir.


A verdade é que as mulheres grávidas são hoje muito melhor assistidas fisicamente durante todo o período de gestação do que eram há décadas atrás. No entanto, essa evolução do acompanhamento físico não foi a mesma no acompanhamento emocional desses pais. Há muitos fatores, além do físico, que influenciam a gravidez e o feto, e, dentre eles, o estado emocional das mães é um dos mais importantes.


A ciência já comprovou que mães que vivem a gravidez de forma mais ansiosa, deprimida ou com maneiras disfuncionais de lidar com o stress tem maior probabilidade de gerar crianças com alterações no desenvolvimento neurológico [1,2] do que mães que viveram a gravidez de forma mais tranquila. Alguns estudos chegam a sugerir que mães mais ansiosas tendem a ter crianças com uma maior probabilidade de desenvolverem problemas emocionais e comportamentais dos quatro aos sete anos de idade [3,4].


A ansiedade, por sua vez, tende a ser naturalmente maior em mães com pouco suporte social, que não tem a presença ativa do pai da criança, que já tiveram perdas em gravidezes anteriores ou ainda mães portadoras de doenças crónicas. Não há maneiras de modificar essas condições externas durante o período da gestação, mas é, sim, possível modificar a maneira com que esses fatores externos são vividos internamente pelas mães e pais. Daí a importância de um acompanhamento emocional, juntamente com o físico, no decorrer do desenvolvimento da gravidez e dos pais receberem algumas informações essenciais:


1. Entenda que algum nível de ansiedade é normal 

Principalmente para pais de primeira viagem, é natural que surjam dúvidas e sentimentos ambivalentes sobre a gravidez, especialmente no início da gestação, mesmo que ela tenha sido planeada. Esses movimentos são importantes para a definição interna do tipo de pessoa que quer ser enquanto pai e mãe. Portanto, nesse momento não há motivo para sentir culpa por não estar a viver o estereótipo feliz da gravidez visto que essas dúvidas tem um papel importantíssimo para o posterior desenvolvimento pessoal dos pais.


2. Tenha atenção a comportamentos não-adaptativos 

O não conseguir lidar adequadamente com a ansiedade ou stress naturalmente provenientes dessa nova exigência de vida é que pode ocasionar problemas maiores. Fique atenta(o) às atividades, substâncias ou outros recursos que usa para evitar pensar ou sentir coisas mais desagradáveis em relação a esse momento. Essas estratégias são um bom uso do seu tempo, te ajudam a evoluir ou são autodestrutivos de alguma forma?


3. Cerque-se de pessoas 

Está cientificamente comprovado que trocar afeto, dividir preocupações e sentir que alguém está ali por nós ajuda em qualquer situação de stress, inclusive melhorando nossa resposta biológica a ele (sobre isso, leia aqui), portanto, não perca a oportunidade de estar nesse período com seus amigos ou familiares que sente que são importantes para si. Crie a sua própria rede de apoio para que não viva esse momento de forma solitária. Peça por ajuda, expresse seus sentimentos, não tenha vergonha e não se prenda ao estereótipo da gravidez sem sofrimento.

 

Mais importante do que isso é ter atenção a maneira com que está a sentir a gravidez. Se percebe que não está a vive-la de maneira a aproveitá-la minimamente, esse é um sinal importante de que precisa de ajuda profissional. Um psicólogo especialista poderá ajudar a encontrar em si recursos importantes para lidar com os altos e baixos da gravidez e também da parentalidade. A gravidez não é a 100% um momento feliz e nem 100% um momento stressante de vida. Há coisas boas e más e há que se tirar o melhor de todo esse momento. Procure ajuda, não deixe para depois.

Leticia Leuze Machado

Leticia Leuze Machado

É Psicóloga Clínica, Pós-graduada em Psicopatologia da Infância e da Adolescência e Certificada Internacionalmente em Coaching. Realiza atendimentos na YellowRoad e tem larga experiência na área clínica com ênfase em psicoterapia infantil e adulta, gestão de stress e resolução de problemas.